O debate do estado da nação deverá ser o último acontecimento político em Portugal antes de entrarmos na tradicional "silly season", assim designada pelos ingleses, que acontece durante o verão e que limita os acontecimentos políticos e as suas consequentes notícias e mediatização. Os americanos chamam-lhe "slow news season".

Não fossem os acontecimentos recentes (incêndios mais graves de sempre, roubo na base de Tancos, demissões de secretários de Estado), devo confessar que a eficácia das políticas da "geringonça" tem surpreendido. É um facto que a economia cresce a valores acima do previsto e também acima da média europeia, o desemprego voltou a valores inferiores a 10%, a inflação tem sido mais baixa e existe uma clara recuperação do investimento e do consumo.

Esta conjuntura prova que a economia é uma ciência social que funciona de comportamentos e de estímulos. António Costa sabe-o bem. No campo político, António Costa soube subtilmente remeter o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista a uma profunda insignificância de ação. Diria até que a "geringonça" pouco ou nada revela na atuação política que se trata de uma coligação com a extrema-esquerda. António Costa governa claramente ao centro e atrevo-me a dizer que, em muitas políticas, à direita de decisões do anterior executivo de Passos Coelho.

A oposição tem então um papel muito difícil em contrariar estas evidências e obriga-se a substituir a política pela "politiquice" e arriscando-se a uma derrota histórica quase certa nas próximas eleições.

Tudo parece correr bem para António Costa que sabe governar bem a conjuntura. Mas poderemos estar perante nova bolha de "artificialismo" sob as condições em que estamos a viver, empresas e particulares. Apesar do impulso positivo para a economia, o recurso ao crédito aumentou. As condições laborais têm-se vindo a degradar pois os trabalhos criados desde 2013 são cada vez mais precários e mais mal remunerados. Também a dívida não para de crescer. Falta a este Governo visão estrutural e de longo prazo. Aqui a ausência de estratégia e de políticas é perfeitamente notória. Que Portugal queremos daqui a 10 anos? Que setores devem ser dinamizados para a economia portuguesa? O que queremos do Estado e quais as suas funções no futuro? Que soluções para a sustentabilidade e consequente reforma da Segurança Social?

Nestes dois meses, os portugueses estão mais otimistas e muito mais dedicados a gozar férias e "ir a banhos" do que interessados na política. Os futuros acontecimentos políticos deverão ocorrer aquando da discussão do Orçamento do Estado para 2018 e das eleições autárquicas.  

 

Director do ISG - Business & Economics School

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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