Select Page

Workaholism: quantidade não significa qualidade

19 de Março, 2021

A situação pandémica despoletou novas formas de trabalho que potenciam o desenvolvimento de níveis de workaholism cada vez mais elevados. As longas e consecutivas reuniões realizadas através das plataformas digitais (e.g., zoom, teams) sem tempo de transição são, efetivamente, necessárias quando a urgência é real. Porém, não se justificam para tratar de assuntos que poderiam ser resolvidos em cinco minutos através de uma chamada telefónica.

Fazer videochamadas apenas pela visibilidade não promove uma cultura saudável, não aumenta a produtividade da organização e muito menos melhora a eficiência e a satisfação geral por parte do colaborador. Contudo, assiste-se a um ritmo de vida que frequentemente conduz os trabalhadores a abdicarem do seu tempo de lazer em prol da vida profissional, passando a estar disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Este novo cenário despoleta uma preocupação incontrolável e constante com o trabalho, sendo a maior parte da energia e do esforço direcionado para o mesmo, o que leva as pessoas a negligenciarem a sua vida familiar e a saúde física e psicológica.

O workaholism começa a ser considerado o vício dos tempos modernos, devido às inúmeras semelhanças que tem com outros comportamentos de carácter aditivo e compulsivo. Como acontece com outras dependências, os workaholics exibem uma tendência para negar o problema e apresentam frequentemente desculpas que justifiquem o envolvimento excessivo com o trabalho porque não têm controlo sobre a sua conduta.

workaholic apresenta relutância em desconectar-se do trabalho e vivencia emoções negativas quando não está a trabalhar, porque a sua principal fonte de felicidade reside nas tarefas profissionais que realiza. Para agravar a situação é incapaz de delegar tarefas, pois acredita que os outros não conseguem atingir os seus níveis de qualidade.

No entanto, quando se analisa a relação entre o workaholism e os resultados organizacionais, verifica-se que, apesar das longas horas de trabalho, os workaholics não apresentam um desempenho superior ao de outros colaboradores que trabalham menos horas. A energia canalizada não parece produzir efeitos positivos na performance do colaborador, e a tendência para trabalhar compulsivamente tende a colocar em causa a qualidade do próprio trabalho.

Os workaholics nem sempre são trabalhadores produtivos, pois representam um custo adicional para a organização devido à diminuição da sua saúde e bem-estar. Além disso, apresentam regularmente elevados níveis de stress e maior propensão para o desenvolvimento de patologias associadas à saúde mental que, a médio/longo prazo, afetam o seu desempenho, tanto em qualidade como em quantidade.

excessiva dedicação ao trabalho e os sentimentos de culpa e ansiedade que assombram os workaholics quando não estão a trabalhar colocam em causa o equilíbrio entre a vida profissional e a vida privada, porque não existe uma distribuição uniforme do tempo e energia dedicada às várias esferas da sua vida.

Sendo os workaholics pessoas dinâmicas e enérgicas, não se sentem confortáveis com a inatividade, pelo que geralmente inventam tarefas para se manterem ocupadas. Todavia, é importante ter tempo para saborear os momentos de calma e quietude, que estimulem a reflexão e a serenidade, porque ficar quieto não significa ser ocioso.

Professora Doutora Rosa Rodrigues, docente do ISG, para a RH Magazine

Outras Notícias

Open Day Licenciaturas ISG 2026

O Open Day Licenciaturas ISG 2026 já tem data marcada e tu já podes garantir a tua presença! Agora vais poder experimentar as diferentes áreas das Ciências Económicas e Empresariais, navegar pelas nossas instalações por ti ou através do teu smartphone, tirar todas as...

Campanha “Poland – Your Place to Grow”

No âmbito da partilha de iniciativas internacionais, divulgamos a campanha “Poland – Your Place to Grow”, promovida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia em parceria com a BBC. A iniciativa destaca o crescimento económico da Polónia e o seu...

Candidaturas abertas para o Prémio “Dissertação académica”

Defendeste a tua dissertação em 2025? As candidaturas para o Prémio “Dissertação académica” já estão abertas! O Jornal de Negócios e a APFIPP realizam mais uma edição dos Prémios Melhores Fundos Jornal de Negócios / APFIPP, com o objetivo de contribuir para um maior...

Candidaturas 2026

Já podes consultar as datas das candidaturas para o ano letivo 2026/2027! Consulta o calendário das diferentes fases no nosso site e garante já o teu lugar na primeira Business School em Portugal. Temos uma vasta oferta formativa focada na área das Ciências Económicas...

ISG na maior feira de Mestrados e Pós-Graduações do país

O Instituto Superior de Gestão volta a marcar presença na Unlimited Future - Feira de Mestrados e Pós-Graduações de Lisboa, no próximo dia 26 de fevereiro de 2026, entre as 10h e as 18h30, na Alameda da Universidade - Cidade Universitária. A 11.ª edição daquela que é...

Campanha do Grupo Ensinus – SOS JUNTOS PELA MARINHA GRANDE

Doação de Bens de 12 a 25 de fevereiro, na tua escola!Bens a recolher para a Marinha Grande: Alimentação e fraldas para bebés; fraldas para idosos (a entregar na Escola Básica Nery Capucho)Materiais para limpeza e proteção (a entregar nos estaleiros municipais da...

Candidaturas abertas para Mestrados ISG 2026-2027

Se procura especialização, progressão na carreira ou reforçar o seu posicionamento no mercado, os Mestrados do ISG oferecem uma formação alinhada com as exigências atuais do mundo profissional. Com um modelo flexível, pensado para quem já está no mercado de trabalho...