Select Page

Poupança, um aspeto comportamental

4 de Novembro, 2021

Numa perspetiva económica, são várias as teorias que procuram explicar o crescimento económico e que demonstram a importância da poupança e do investimento para o crescimento das economias. São exemplos, a corrente clássica, a corrente keynesiana, a corrente neoclássica e a teoria do crescimento endógeno. Contudo, não é consensual a relação e contributo da poupança e do investimento para o crescimento económico.

O Relatório da OCDE “OECD Capital Market Review Portugal 2020 – Mobilising Portuguese Capital Markets for Investment and Growth” publicado o ano passado, refere que desde 2000 que a poupança líquida agregada das famílias portuguesas é a mais baixa entre as economias europeias comparáveis.

No entanto, as taxas de poupança (parte do rendimento disponível não utilizada no consumo) durante a pandemia ultrapassaram a média histórica dos portugueses que ronda os 6 a 7% do rendimento disponível. À medida que a economia foi reabrindo a poupança tendencialmente regressa aos valores normais pré-pandemia.

Se por um lado, a poupança enquanto decisão económica considera um conjunto de variáveis como o crescimento económico, a oferta de trabalho, a política governamental ou as decisões de consumo, por outro lado, poupar não é tanto uma questão de disponibilidade de recursos, mas uma questão comportamental. De acordo com o clima económico sentido pelas famílias em termos de fases mais expansionistas ou contracionistas, assim as famílias adotarão comportamentos de maior ou menor poupança.

A situação atual de taxas de juro negativas pode sugerir uma menor propensão para a poupança. Se gastar hoje e gastar amanhã são opções com o mesmo custo, naturalmente as famílias adotam comportamentos de evasão da poupança sem qualquer respeito pelo futuro e pela imprevisibilidade associada.

O aumento da esperança média de vida pode condicionar a decisão de poupar, em virtude de existir a perceção que o fim da vida está longe e o dinheiro não chega para os anos que se vivem a mais.

A criação de estímulos à poupança, ausente dos Orçamentos do Estado continuam a ser uma realidade. São necessárias medidas de estímulos para incentivar as poupanças das famílias, por exemplo, a diminuição do imposto ou a isenção até determinados montantes de juros nos produtos de aforro e a criação de novos produtos de aforro do Estado de longo prazo mais adequados ao atual contexto das taxas de juros.

Tal como os investidores os aforradores são orientados por incentivos. E os incentivos, até agora, não foram suficientes, se tivessem sido, Portugal não apresentaria um histórico quase constante de baixa poupança desde o início dos anos 2000.

Em geral, as famílias regem-se por comportamentos orientados para o imediato sem vislumbre pelo futuro na esperança de existir sempre ajuda, com um preço a pagar – existem famílias que se encontram permanentemente numa situação de endividamento ou muito próxima dessa situação – para terem acesso hoje áquilo que ainda não podem ter.

As crises das famílias acontecem sempre que existe necessidade de reajustar o padrão de vida a um cenário de rendimentos mais reduzidos. É antes deste cenário, que as famílias devem adotar comportamentos de poupança, caso contrário iniciam um processo ilusório de combater a situação de falta de rendimento disponível com recurso ao crédito.

O investimento depende da poupança nacional, e é com a poupança que se financia a economia. Uma economia assente no consumo justifica que a poupança esteja arredada do discurso dos políticos e da politica nacional e europeia. Desta forma, incentivamos o endividamento das famílias, preferimos falar do deficit e de crescimento económico, como se a poupança fosse um contrapeso ao desenvolvimento económico e ao bem-estar das famílias.

Poupar encontra-se em desuso, vive-se o imediato, por isso, com todos os riscos e crises que desafiamos, preferimos partilhar das palavras de Samuel Butler “ Todo o progresso é baseado no desejo inato e universal de todo o ser vivo de subsistir acima das suas possibilidades”.

Professor Doutor António Rodrigues, Coordenador da Pós-Graduação em Gestão Financeira para o Link to Leaders

Outras Notícias

Talent Portugal lança 9ª edição dos Great Employers 2025/26

Para ofertas de emprego ou de estágio exclusivamente em Portugal, a Talent Portugal disponibiliza-te uma plataforma específica, com +200 empresas dos melhores empregadores em Portugal. Podes pesquisar as empresas de acordo com as tuas preferências, verificar o que te...

Cheque-Formação+Digital prolonga prazo

A medida “Cheque-Formação+Digital” prolongou o prazo até junho de 2026! Se é trabalhador, o Estado está a oferecer-lhe até 750€ para fazer um curso na área digital. Conheça toda a nossa oferta formativa no nosso site e aproveite este apoio. Saiba mais sobre esta ajuda...

Cartier Women’s Initiative 2027 – datas para inscrições

As inscrições para a nova edição da Cartier Women’s Initiative já têm data marcada! A Cartier Women's Initiative é um programa internacional anual de empreendedorismo que visa impulsionar a mudança e capacitar mulheres empreendedoras com impacto no panorama mundial....

Open Day | Banco de Portugal

Queres participar no Open Day do Banco de Portugal? Dirige-te à Direção do ISG, até dia 27 de janeiro 2026, e mostra o teu interesse em conheceres as diferentes áreas de atuação e as oportunidades de estágio disponíveis do Banco de Portugal, no próximo dia 10 de...

ISG apresenta “Core Leaders – Powering Up Executives”

O Instituto Superior de Gestão promove, no dia 27 de novembro, pelas 17 horas, na Sala 1, o evento de relançamento da Formação de Executivos (FEX), sob a marca “Core Leaders – Powering Up Executives”, com o apoio da Prime Drinks. Após um período de reestruturação, o...

A educação como fonte de liberdade religiosa

Vivemos num mundo cada vez mais dominado pela imposição de uma monocultura em que a tolerância e o respeito têm-se esgotado em si mesmos. Queremos que todas e todos sejam iguais e se subjuguem às forças políticas e religiosas de cada Nação, não existindo respeito...

ISG recebeu Projeto HigherED4Industry

O Instituto Superior de Gestão recebe o Projeto Europeu HigherED4Industry, um projeto que reúne especialistas para debater novos modelos de colaboração entre a Indústria e a Academia, durante os dias 28 e 29 de outubro. Esta edição teve como tema base dos trabalhos,...