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O sucesso das mulheres e a evolução das sociedades

O sucesso das mulheres e a evolução das sociedades

Ainda há um longo caminho a trilhar, pois em média os homens portugueses ganham mais 22,1% do que as suas compatriotas.

No final do mês de março, o Banco Mundial publicou um estudo acerca das “Mulheres, Empresas e o Direito 2019: no mundo dos negócios”; no original: “Women, Business and the Law 2019″(1) e que demonstra que no mundo inteiro as mulheres só têm três quartos dos direitos quando comparados com os homens.

Se analisarmos os dados em termos globais, concluímos que as mulheres na Europa e na Ásia Central têm a melhor situação e que desde 2009 evoluíram de 80.1% para 84,7% em 2018, e que em pior situação estão as mulheres do Médio Oriente e do Norte de África com 44,5% dos direitos em 2008 e com 47,4% em 2018.

Para este estudo foram analisados 187 países com oito indicadores. Na União Europeia os resultados são particularmente animadores pois a Bélgica, a Dinamarca, a França, a Letónia, o Luxemburgo e a Suécia obtiveram a pontuação máxima pois dão direitos idênticos às mulheres e aos homens. A evolução foi substancial pois há uma década não havia nenhum país do mundo onde homens e mulheres tivessem os mesmos direitos.

Na apresentação do relatório, Kristalina Georgieva, presidente interina do Grupo Banco Mundial – referiu que: “Se as mulheres tivessem oportunidades iguais para realizar seu pleno potencial, o mundo seria não apenas mais justo, mas também mais próspero. Os avanços vêm ocorrendo, mas não em um ritmo rápido o suficiente, e 2,7 bilhões de mulheres ainda enfrentam impedimentos legais no acesso às mesmas oportunidades de emprego que os homens. É primordial eliminarmos as barreiras que limitam as oportunidades das mulheres e este relatório visa a demonstrar que as reformas são possíveis, bem como acelerar as mudanças.”

A OCDE lançou uma campanha a propósito do Futuro do Trabalho(2) em que se pretende ouvir a voz de todas e de todos e está aberta à participação geral. Importa reter que caso houvesse Igualdade completa entre homens e mulheres o impacto do PIB nos países membros da OCDE seria notável e o trabalho digno será naturalmente transversal a todos os setores de atividade.

Ao olharmos para a realidade portuguesa os dados são muito satisfatórios pois estamos colocados no segundo grupo de países mais bem classificados, que estão organizados por ordem alfabética, com 97,50%. No entanto, ao analisamos o ultimo relatório da OIT – Organização Internacional do Trabalho que foi lançado, igualmente, no passado mês de março(3), concluímos que ainda há um longo caminho a trilhar, pois em média os homens portugueses ganham mais 22,1% do que as suas compatriotas.

As reformas que têm vindo a ser feitas no âmbito do Direito Laboral, do Direito da Família e do Direito Económico e Fiscal têm diminuído as disparidades entre o género masculino e o género feminino, mas como uma multiplicidade de estudos o têm vindo a demonstrar ao longo dos tempos, é na educação que reside a mudança e a promoção de melhores condições de vida, bem como a melhoria da competitividade da sociedade e o crescimento económico.

Apesar de termos assistido a reformas consideráveis no domínio da educação, tanto no ensino superior como no ensino não superior, ainda há muitos passos a dar para conseguirmos cumprir com o princípio constitucional da Igualdade e com o princípio da liberdade de ensinar e de aprender. Pois para mulheres e homens terem os mesmos direitos há que lutar ao mesmo tempo e à mesma velocidade pela plena assunção destes dois princípios que promoveriam seguramente uma sociedade mais democrática, mais plural e mais transparente e favoreceriam a melhoria da posição de Portugal em todos os indicadores económicos sociais e científicos.

(1)http://pubdocs.worldbank.org/en/702301554216687135/WBL-DECADE-OF-REFORM-2019-WEB-04-01.pdf

(2)https://futureofwork.oecd.org/

(3)https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—dgreports/—dcomm/—publ/documents/publication/wcms_674831.pdf

Administradora do ISG | Instituto Superior de Gestão e do Grupo Ensinus

Défice de 0,5% do PIB. Estamos felizes?

Défice de 0,5% do PIB. Estamos felizes?

O Instituto Nacional de Estatística (INE) “oficializou” o défice de 0,5% do PIB, o mais baixo desde 1974. Como seria expectável e legítimo, o Governo, através de Mário Centeno, reclamou este feito como uma conquista desta legislatura e que Portugal ganhou a aposta na credibilidade, insistindo que se “[…] mostrou à Europa que havia uma alternativa”.

As “performances” dos governos são sempre condicionadas pela conjuntura internacional, em especial para economias de menor dimensão, estruturalmente mais dependentes e menos competitivas, como é o caso português. Desde 2015 que o final da grave crise financeira mundial provocou um forte estímulo e aumento da confiança dos agentes económicos, particulares e empresas, após seis anos de grandes privações e interrogações. Também as taxas de juro de referência, ainda negativas, têm sido um contributo para o investimento e consumo.

A economia gerou emprego nos últimos quatro anos, a um ritmo de quase 100 mil empregos/ano. A consolidação orçamental e os saldos primários positivos foram, de facto, obra deste Governo.

São nestes períodos de crescimento do PIB e do emprego que se deve prestar mais atenção às políticas restritivas, no sentido de precaver ou minorar os efeitos da ocorrência futura de uma nova crise, que poderá acontecer quando a médio prazo, as taxas de referência regressarem a valores positivos. O erro do governo de Passos Coelho foi procurar combater uma recessão económica grave com políticas ainda mais restritivas, que condicionaram qualquer impulso de crescimento.

Mas a verdade é que apesar da grande melhoria da conjuntura internacional, as políticas restritivas herdadas do anterior governo, mantiveram-se neste Governo de António Costa e os resultados da sua aplicação só são observáveis a prazo e que, quanto mais dilatado, mais resultados são visíveis, em especial, não no desempenho económico do país, mas na melhoria das contas públicas. As decisões económicas têm sempre um GAP de reconhecimento, de aplicação de instrumentos e, sobretudo de efeitos a prazo.

A evidência é que a carga fiscal, ainda derivada do famoso “aumento colossal de impostos” de Vítor Gaspar, ainda se mantém e é muito conveniente ao Governo atual. Aliás, o Estado continua a insistir em equilibrar as contas não pela redução da despesa mas pelo aumento da receita – é curioso que mesmo com o PIB a crescer a um ritmo mais lento, a carga fiscal em 2018 representou 35,4% do PIB (mais 1% que em 2017). A não redução da despesa impede preparar o país para enfrentar os problemas estruturais da economia, e não lhe permite qualquer dinâmica de crescimento e de criação de valor que permita não só mais emprego como melhor emprego – maior produtividade e maiores salários.

Por maior que seja o saldo primário do Orçamento de Estado (sem o serviço da dívida), o valor da Dívida das Administrações Públicas, condicionará sempre o valor final do défice e obrigará os contribuintes a um esforço fiscal substancial, caso não existam cortes substanciais na despesa pública que passarão pela redefinição das funções do Estado. Mais do que um problema ideológico, trata-se de um problema matemático.

Diretor do ISG – Business& Economics School

Jornal de Negócios a 27/03/2019

Uma brisa que passou Carlos Vieira, professor no ISG

Uma brisa que passou Carlos Vieira, professor no ISG

E é assim. De repente parece que se perde uma oportunidade. Leio o que leio na comunicação social. Pedem-me para escrever sobre empresas e empreendedorismo. E empreendedorismo é também saber assumir erros (próprios ou de terceiros) e saber cair com “graciosidade” e com indicações que “para a próxima já não se cometerão os mesmos erros”. Será?

Leio na comunicação social sobre o facto de certos credores terem conseguido o controlo acionista da Auto Estradas Douro Litoral e da Brisal, pertencentes à Brisa, após terem adquirido, a desconto (ou com o já famoso “haircut”, fala-se em 80%), créditos que lhe permitiram fazer o “step in” no capital da empresa. E adquiriram-no associando-se a empresas tão seletas como o Deutsche Bank, o JP Morgan e o Banco Europeu de Investimento (Público, 24/01/2019).

Importa recordar também que a própria Brisa já tinha colocado o Estado português em tribunal, por razões de reequilíbrio financeiro, tendo este sido condenado a pagar 220 milhões. É obra!

Este tema permite-me dizer que, de facto, num negócio ou num investimento que, por determinadas razões não corre como o esperado, pode sempre existir um conjunto mínimo de ativos que conduzem ou autorizam um ajustamento. Por vezes este ajustamento obriga a que credores que, por norma, não trabalham em situações de stress financeiro, cedam as suas posições a terceiros, sejam eles considerados “abutres” ou não. E aqui o digo. Hoje que se discute a necessidade de se recuperar a competitividade de determinadas regiões do país, não seria porventura interessante o Estado português adquirir esta posição destes fundos, remetendo estes ativos para os respetivos municípios para gestão (promovendo a redução dos custos de contexto de quem aí vive e trabalha)? Há de facto uma oportunidade única nestes momentos originados por crises globais ou específicas que importa manter no radar.

O mesmo se pode dizer do Sporting Clube de Portugal e do seu Grupo. Na semana passada assisti ao anúncio de um financiamento que serviria para pagar créditos vencidos, na SAD. Neste artigo, em que escrevo como docente do ISG, e para não me acusarem de revelar informação confidencial, reporto-me aos recentes relatórios de gestão, prospetos divulgados e ao artigo de Bruno de Carvalho (DN, 30/04/2018) e à entrevista de Carlos Vieira (o VP do SCP, que sou eu, mas agora não sou, também no DN, mas de 22/06/2018), para lamentar que não se tenham conseguido concretizar os acordos que permitiriam uma reestruturação (já estou tão farto desta palavra!) efetiva.

Para não me alongar muito, a base desse acordo era i) situar a operação de titularização de créditos na Sporting SGPS (que é detida a 100% pelo Clube), que iria comprar os créditos detidos pelo BCP e Novo Banco sobre a SAD e o Clube (cerca de € 150M de empréstimos e € 135M de VMOCs – obrigações convertíveis em ações) por um valor de, no máximo, € 150M; ii) a SAD e o Clube ficariam a dever os seus créditos à SGPS pois um haircut direto dos bancos aquelas originaria muito possivelmente IRC a pagar; iii) como a SGPS deve ao Clube cerca de € 70M, acertavam-se as contas e o Clube, sem mais, ficava sem dívida bancária e “arrumadinha” beneficiando os seus mais de 170 mil sócios; iv) a SGPS ficaria com € 135M de VMOCs adquiridas a um baixo valor que, se interessasse ao Sporting, poderia transformar em ações ou vender com ganhos a parceiros a sério; v) todas as restantes garantias prestadas aos bancos ficariam libertas. Note-se que, a SAD não pode adquirir ações ou VMOCs próprias e não pode emprestar dinheiro a terceiros com o objetivo único de as comprar (a designada “simulação”).

Assim, a exemplo da Brisa, ou do Estado português, parece que se pode vir a perder uma oportunidade. Daquelas que passam poucas, ou nenhumas vezes. O que me ainda me mantém esperançoso é que quem nos governa se mantenha alerta. No caso do Estado, vêm aí eleições…. No caso do Sporting, no comunicado à CMVM está escrito que a “Sporting SAD [pode]recuperar a titularidade ou benefício económico dos créditos”. Ainda estamos em tempo. No entanto deixo a minha dúvida. Sendo quem gere agora estes processos um homem da banca (e que a ela necessariamente regressará) porque não manteve os contratos com quem negociava “agressivamente”, à “abutre” (mas do lado certo da barricada)? Porque será que rescindiram esses contratos? Porque será? Desta vez não será certamente do guaraná.


* Professor convidado do ISG – Instituto Superior de Gestão, em cursos de licenciatura e mestrado, Carlos Vieira é  licenciado em Administração e Gestão de Empresas, pela Universidade Católica Portuguesa (1996) e doutorando em Business Administration no ISCTE – IUL. Fez uma pós-graduação em Gestão e Organização Industrial, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (2000), e frequentou o mestrado em Gestão, no ISG – Instituto Superior de Gestão (2009), só com conclusão da parte curricular.

Profissionalmente, pertenceu aos quadros Price Waterhouse e de uma associada; integrou os quadros da Vodafone Telecel, tendo desempenhado as funções de Manager no departamento de Planeamento e Controlo Financeiro; desempenhou atividade docente no ISCAD-Instituto Superior de Ciências da Administração e na ULHT-Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias; pertenceu aos quadros da Media Capital, como diretor de Contabilidade e diretor de Tesouraria do Grupo; foi administrador do Grupo Unisla; e ainda administrador do Grupo Ensinus.

A este percurso junta-se, ainda, entre março 2013 e junho 2018, os cargos de vice-presidente do Sporting Clube de Portugal, com o pelouro financeiro (e desde março de 2017 também com o pelouro do património), e de administrador da Sporting Clube de Portugal-Futebol, SAD. Além disso, é vice-presidente da ANESPO -Associação Nacional de Escolas Profissionais e membro da direção da CNEF- Confederação Nacional da Educação e Formação. Assume também a presidência do Conselho de Fundadores da FLAV-Fundação Luís António Verney e é membro da Ordem dos Economistas e da Ordem dos Contabilistas Certificados.

ISG é notícia no Magazine Imobiliário!

ISG é notícia no Magazine Imobiliário!

“ISG lança pós-graduação imobiliária em b-learning” é o título do Magazine Imobiliário, sobre a nova Pós-Graduação em Gestão e Avaliação Imobiliária do Instituto Superior de Gestão, em parceria com a ASAVAL – Associação Profissional das Sociedades de Avaliação.
Um novo formato em regime b-learning, que terá uma duração total de 335 horas, sendo que 275 horas serão em regime e-learning.

Leia a notícia na integra
Ler mais sobre a Pós-Graduação em Gestão e Avaliação Imobiliária

The European Elections

The European Elections

Partilhamos com a nossa Comunidade Educativa a seguinte mensagem
In less than 100 days, European citizens will be asked to cast their vote and decide what’s next for Europe.
The European elections, held between 23 and 26 May, will shape the European Union for the years to come.
At the European Commission, we are doing our best to reach out to as many people as possible in order for them to be able to make an informed decision. But in order to reach every single European, we need all those with Europe at heart to join us.
The Commission has prepared the following message:
“What if we told you that in less than 100 days, you have the power to shape the future?
The European Elections will be held this May. This important election will determine the direction of our society, affecting your life and that of generations to come.
People all over Europe are encouraging friends and family to get out and vote. What about you? Are you one of the thousands of people engaging on www.thistimeimvoting.eu? If not, please join the conversation, we would love to hear your voice. But more than this, you can encourage others to make their voices heard, in doing so, you will be making history and strengthening our democracy.
Young people all across Europe have come forward and talked about how the European Union has helped them reach their full potential. Perhaps you can relate to some of the stories at europa.eu/euandme? Please share these stories, better still, share your own story and encourage your friends to do the same.
Through your participation in EU initiatives, you have already taken steps to strengthen the European Union, this May you will have the opportunity to strengthen our future.
Thank you.”