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(Des)uso da máscara: um gatilho para sintomas de ansiedade

(Des)uso da máscara: um gatilho para sintomas de ansiedade

A ansiedade é caracterizada por preocupações irrealistas e/ou excessivas sobre circunstâncias da vida e por um conjunto de sintomas físicos que persistem durante algumas semanas e estão presentes na maior parte dos nossos dias. É uma sensação que surge perante momentos inquietude que são sentidos como uma antecipação de problemas. Apesar de envolver sintomas nem sempre agradáveis, a ansiedade é adaptativa e revela-se extremamente importante para proteger o organismo de ameaças e/ou perigos que se associam a algo que não se conhece.

As pessoas têm medo do desconhecido porque não se sentem seguras de que são realmente capazes de lidar com situações até então inéditas e da mesma forma que há dois anos se estranhou ver pessoas a usar máscara, quando a mesma ainda não era obrigatória, agora estranha-se que muitas pessoas não o façam. Faz parte da natureza humana resistir à mudança, mesmo que mudar signifique ficar mais perto do que havia antes. Não obstante, é normal que que se verifique um acréscimo de preocupação, porque o facto de deixar a máscara aumenta a ansiedade em relação à doença, seja porque nos recorda algo negativo e perigoso que limita a nossa liberdade ou por receio de contágio próprio ou de familiares.

Se para algumas pessoas esta nova fase é um alívio, para outras pode ser um problema, porque todos temos consciência de que sem esta restrição o número de casos de COVID-19 poderá aumentar nos próximos tempos.

As pessoas querem ter a certeza absoluta de que não serão contagiadas e essa certeza não existe, porque mesmo com a máscara o risco de transmissão nunca vai ser zero.

Toda esta situação gera ansiedade porque o uso da máscara se encontra associado a uma fase muito difícil que vivemos durante os últimos tempos e que ainda não está ultrapassada, pelo que ninguém quer arriscar ser (re)contagiado. Pensar sobre o que aconteceu durante o período mais grave da pandemia despoleta uma necessidade de segurança e proteção, que se torna mais frágil com a retirada das máscaras. Portanto, é necessário que a mudança seja realizada de forma natural e progressiva, sem uma imposição brusca, respeitando as particularidades e as limitações que a situação pandémica trouxe. Este processo só será eficaz quando as pessoas sentirem a confiança necessária para o fazer, porque cada caso é um caso, e cada pessoa precisa do seu tempo para lidar com uma situação que lhe causa desconforto.

Numa altura em que a vacinação e a imunidade de grupo são uma realidade sólida em Portugal, os especialistas referem que há mais benefícios em retirar a máscara do que em mantê-la. Porém, verifica-se que por um lado houve pessoas que o fizeram assim que o Decreto-Lei foi publicado em Diário da República, mas outras irão manter o cuidado porque necessitam de superar medos e inseguranças. Devemos respeitar o tempo que cada um necessita para se adaptar à nova realidade, sem fazer juízos de valor, porque todos sentimos ansiedade e não são raras as vezes que a mesma evita que a nossa vida seja colocada em risco.

Temos de aprender a viver com este vírus como aprendemos a viver com outros, mas quando este processo de adaptação é vivido penosamente e se manifesta através de preocupações excessivas é necessário pedir ajuda profissional. As perturbações de ansiedade são uma realidade cada vez mais frequente e estima-se que cerca de 25.0% da população é afetada pelas mesmas durante o seu ciclo de vida.

Professora Doutora Rosa Rodrigues, Docente e Investigadora do ISG  para a ComunicaRH

A Estruturação de produtos turísticos: Experiência e importância do associativismo

A Estruturação de produtos turísticos: Experiência e importância do associativismo

A atratividade turística dos territórios advém da utilização e regeneração dos seus recursos, da sua identidade e do seu valor, na estruturação dos produtos turísticos.

O produto turístico constitui-se pela combinação de recursos naturais e culturais, pelas atrações, pelas atividades à volta de um interesse específico que proporcione uma experiência global para o visitante.

Os destinos, enquanto resultado do envolvimento e da cooperação dos seus agentes (municípios, associações, empresas), afirmam-se na união de sinergias que possibilitam experiências e vivências inesquecíveis, ofertas turísticas de excelência, em torno de produtos temáticos e transversais.

A ação empreendida pela Associação Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo de Jerusalém (OPCTJ) desde a sua constituição, em plena pandemia, no ano de 2020, é um bom exemplo de uma rede de parcerias associativas, empresariais e autárquicas relacionada com a temática templária. A OPCTJ, que tem por objeto a preservação e a emulação dos ideais históricos da antiga cavalaria do Templo de Jerusalém, desenvolve a sua atividade cultural e ação social, assumindo, cumulativamente, um papel determinante no turismo, enquanto instrumento de modelo de desenvolvimento regional integrado.

Ao estabelecer pontes entre os vários municípios, pertencentes às regiões de Lisboa e Vale do Tejo, do Centro, do Porto e Norte, cujos territórios e património estão especialmente ligados à história da presença templária em Portugal, a OPCTJ promove os produtos endógenos e o património material e imaterial de cada região e integra o motor de diferenciação e fidelização nas atividades ligadas ao turismo.

Neste caso, ao fomentar-se o desenvolvimento de um produto turístico de valor acrescentado (turismo cultural e turismo militar), proporciona-se a integração de experiências e fomenta-se um maior envolvimento dos agentes para a estruturação e criação de roteiros turísticos e destinos de acordo com os recursos de cada região.

Desta forma, transformam-se recursos em produtos turísticos diferenciados, com qualidade e identidade, inovadores e promotores da sustentabilidade através da preservação dos recursos e de apoio às comunidades que, em suma, projetam os territórios, em modelos de desenvolvimento em rede.

Professor Doutor João Caldeira Heitor, Secretário Geral do ISG, Coordenador da Licenciatura em Gestão do Turismo, para a Ambitur

Impacto das PGRH socialmente responsáveis no desempenho dos colaboradores

Impacto das PGRH socialmente responsáveis no desempenho dos colaboradores

É inegável que o ambiente globalizado proporcionou novas oportunidades para o crescimento das organizações, porém esta expansão veio acompanhada de várias mudanças ao nível da estrutura administrativa e na forma como se gerem os Recursos Humanos (RH). Neste contexto, as Práticas de Gestão de Recursos Humanos (PGRH) socialmente responsáveis têm vindo a assumir um papel central nas organizações contemporâneas que, cada vez mais, necessitam de se reinventar para superarem este desafio e alcançarem vantagem competitiva (Aguinis & Glavas, 2019).

Quando as organizações têm consciência de que são as pessoas que estão por trás do seu sucesso, deixam de as encarar apenas como mão de obra e passam a investir na sua qualidade de vida em contexto laboral (Jang & Ardichvili, 2020). Verifica-se, ainda, que a perceção dos trabalhadores sobre as PGRH implementadas afeta de forma significativa as suas atitudes e comportamentos relativamente às tarefas que realizam e em relação à própria organização, o que se reflete no seu desempenho (Cherif, 2020). Ao promover uma cultura socialmente responsável, a organização estimula o desenvolvimento de PGRH que se focam na produtividade e em procedimentos que permitem alcançar a eficácia e a eficiência ao nível dos RH, económicos e financeiros (Podgorodnichenko et al., 2020). Deste modo, torna-se pertinente conhecer as PGRH socialmente responsáveis que despoletam um melhor desempenho, de forma a que as mesmas possam ser transpostas para as organizações cuja performance necessite de ser melhorada (De Prins et al., 2020).

Quanto mais positiva é a opinião dos colaboradores relativamente às PGRH socialmente responsáveis, mais elevada é a sua  performance (Mascarenhas & Barbosa, 2019)

Uma gestão de RH socialmente responsável engloba várias práticas e políticas que visam atrair os colaboradores, tornando as organizações mais apelativas, verificando-se que os candidatos a emprego têm maior propensão para procurar empresas com boa reputação ao nível da responsabilidade social (Klimkiewicz & Oltra, 2017).

Barrena-Martínez et al. (2017), por sua vez, aludem que quando as organizações se preocupam com a saúde e segurança laboral, a aprendizagem contínua, o desenvolvimento de carreira e um sistema de recompensas justo, os colaboradores ficam mais motivados para alcançar as metas organizacionais. Segundo os autores, as PGRH socialmente responsáveis devem englobar sete dimensões, designadamente: (i) a formação e desenvolvimento, (ii) a diversidade e igualdade de oportunidades, (iii) a prevenção da saúde e segurança no trabalho, (iv) o equilíbrio trabalho-família, (v) a comunicação, (vi) a adaptação ao posto de trabalho, (vii) e a partilha de informação.

Otoo (2019) acrescenta que quando os colaboradores percecionam que a organização lhes proporciona um ambiente de trabalho harmonioso sentem-se mais comprometidos e esforçam-se para ir além do que é exigido pela sua função. Por conseguinte, Vuong et al. (2020) referem que o desempenho profissional é muito importante para a organização atingir as suas metas, motivo pelo qual é necessário definir onde se quer chegar e o caminho a percorrer para as alcançar. O sucesso de qualquer organização e, consequentemente, a sua supremacia face à concorrência dependem em larga medida da conduta profissional dos colaboradores, pois é através da mesma que os propósitos organizacionais podem ser alcançados (Srivastava & Pathak, 2019). Face ao exposto, é possível afirmar que quanto mais positiva é a opinião dos colaboradores relativamente às PGRH socialmente responsáveis, mais elevada é a sua performance (Mascarenhas & Barbosa, 2019). Estes resultados são coerentes com os anteriormente obtidos por Álvarez-Torres e Riaño-Casallas (2018) que demonstram que quando os colaboradores consideram que existe uma preocupação com o seu bem-estar, empenham-se com mais afinco para corresponder aos objetivos estratégicos da organização.

De Prins et al. (2020) salientam que as PGRH socialmente sustentáveis são benéficas tanto para o colaborador como para a organização, porque contribuem significativamente para a obtenção de resultados superiores. Podgorodnichenko et al. (2020) adicionam que estas PGRH aumentam o envolvimento dos colaboradores e concorrem para que sejam atingidos padrões de excelência. Assim, é importante que as organizações fomentem a aprendizagem contínua, através de ações de formação, que permitam colmatar as lacunas existentes ao nível das competências e estimulem o desenvolvimento do potencial dos seus RH (Haryono et al., 2020).

Neste âmbito, é fundamental promover PGRH que vão ao encontro das necessidades e expectativas dos trabalhadores, porque só assim é possível alcançar resultados individuais que se traduzam em impactos positivos para a organização. Como tal, é importante alertar todos os responsáveis pela gestão dos RH para a valorização dos seus colaboradores, porque, sendo as pessoas o ativo mais importante de qualquer organização, é necessário desenvolver estratégias que aumentem os seus níveis de compromisso e garantam a sua retenção (Kurdia et al., 2020).

Professora Doutora Rosa Rodrigues, Docente e Investigadora do ISG e Gonçalo Vicente Crisóstomo, Mestre em Gestão do Potencial Humano para a RH Magazine

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