Select Page
O patriarcado em tempos de guerra!

O patriarcado em tempos de guerra!

Se em momentos de paz as mulheres são vítimas de abusos sexuais como resultado de uma sociedade altamente patriarcal e desorganizada, em momentos de guerra os abusos contra este género tendem a aumentar em grande escala, sendo os maiores alvos de violência que o conflito pode desencadear. Perante este cenário existem dois grandes desafios a superar: manter a paz e combater a violência de género.

Recentemente, na República Democrática do Congo (RDC) foram abusadas e mortas mais de 150 vítimas durante a fuga em massa de criminosos da prisão de Munzenke, na cidade de Goma. Vários fugitivos aproveitaram o caos que se seguiu para incendiar áreas reservadas exclusivamente a mulheres. Muitas foram violadas e queimadas até à morte. Atos como estes já se repetem ao longo de décadas. Segundo o Relatório elaborado pelos Médicos Sem Fronteiras, uma em cada 10 mulheres congolesas foi abusada sexualmente no período compreendido entre novembro de 2023 a abril de 2024. A violência sexual prevalece em mulheres adultas com idades compreendidas entre os 20 e os 44 anos.

Muitas destas mulheres e crianças que são abusadas estão em acampamentos, situações por si só precárias, sem qualquer segurança e expostas a todo o tipo de violências que são muitas vezes praticadas por civis e homens armados. As autoridades, as agências e as Organizações de ajuda humanitária são importantes para que possam garantir a segurança em locais como estes a grupos que são mais vulneráveis. Mas manter a paz não é tarefa fácil tendo em conta as características peculiares destes povos, compostos por uma grande diversidade étnica e cuja cultura pós-colonial ainda está muito presente nas suas memórias.

O trabalho realizado pelas Nações Unidas (ONU), através da Missão das Nações Unidas de Estabilização da República Democrática do Congo (MONUSCO) tem vindo a desenvolver uma série de trabalhos que procuram entender melhor a situação das mulheres congolesas através da análise de uma perspetiva histórica. Estes movimentos revelam-se de extrema importância para esta localidade, pois vêm contrariar a narrativa comum de que o feminismo é uma importação do ocidente.

Mas, afinal, por que razão a população local resiste a movimentos como a MONUSCO, tornando difícil a sua implementação e progressão?

Ao assistirmos à passagem do bilateralismo para o multilateralismo na Ordem Mundial verificou-se uma ideia de que os valores eurocêntricos estavam a sobrepor-se na conjuntura internacional, o que não é visto por populações como os congoleses, marcados por períodos de repressão na história, como algo positivo. A colonização está ainda marcada no povo, deixando feridas nos seus corpos pela forma como foram tratados. Até hoje, estas marcas estão arreigadas nos seus corpos e nas suas mentes.

As vitórias das nações e a assunção do paradigma da paz está intimamente ligado a conceitos europeus, nomeadamente, ao Capitalismo, ao Estado de Direito, à Democratização, aos Direitos Humanos e aos mercados livres. A paz deixa de ser um conceito utópico e passa a ser exequível como resultado de uma ideologia estatal e de uma organização social. No entanto, organizações como a MONUSCO são vistas pelos locais como formas de propagação dos valores universais ocidentais. Esta visão dita o fim de qualquer tentativa de manter a paz e proteger os Direitos Humanos. É por isso tão importante que as Organizações conheçam a história e a realidade local. Talvez seja esta a resposta que esteja por detrás da principal resistência à ajuda internacional dos locais, a falta de cooperação e de entendimento dos povos e da sua história. A mudança só acontece quando percebemos a história e cooperamos com a comunidade local. A empatia pelo “outro” pode ser a chave para o diálogo que consequentemente traz a paz necessária.

É preciso mudar a forma como as mulheres são vistas nestas sociedades, principalmente em tempos de instabilidade e de conflito. Embora participem em lutas acabam por ser subjugadas a um papel minoritário. Além do mais, o feminismo é visto pela maioria como um conceito ocidental. Minna Salami[1] afirma que o termo é “anti-africano”, mesmo que o conceito tenha sempre existido em África. Tal como os estrangeirismos são comumente denominados e usados no Ocidente como resultado da globalização, o feminismo, em África, é visto como um conceito importado e de conotação europeísta.

A autora de que vos falo, diz-nos que apesar de não ter esta nomenclatura, o termo existe desde o século XX no continente africano, quando as mulheres começaram a contribuir para os objetivos pan-africanos e para luta contra o colonialismo. Atualmente, o movimento ganha uma maior expressão através da presença histórica da ONU que tem vindo a desenvolver um trabalho notável na luta a favor dos Direitos das Mulheres no continente, que vai muito além da luta contra o patriarcado e contra a história de que o homem é sempre o herói e o libertador dos opressores.

O Fórum Feminista Africano, desde 2006, que criou a “Carta de Príncipios Feministas para as Feministas Africanas” um marco para a RDC que desde a colonização belga, que veio intensificar a posição da mulher nos diferentes temas fórum público.

A RDC representa aquilo que acontece ainda em muitos países que têm o peso da história da colonização e cuja desordem política, económica e social ainda se mantêm tornando a (des)construção do feminismo um desafio ainda maior. As mulheres e as crianças continuam ainda a ser as principais vítimas da desordem social.

Entrevista especial LUX Woman – Dra. Teresa Damásio

Entrevista especial LUX Woman – Dra. Teresa Damásio

A Administradora do Grupo Ensinus, Dra. Teresa Damásio, está presente na nova edição da Revista LUX Woman com uma entrevista especial, no âmbito do lançamento do seu Livro “O Estado das Coisas”.

Convidamos toda a Comunidade Académica a ler a entrevista na edição de fevereiro da Revista.

“Alunos aprendem mais quando a gestão e acolhedora”

“Alunos aprendem mais quando a gestão e acolhedora”

A Presidente do Conselho Geral, Coordenadora do Mestrado em Gestão do Potencial Humano e da PG de Gestão Escolar do ISG, Professora Doutora Lurdes Neves partilhou a sua perspetiva quanto às boas práticas de proximidade para a inovação na educação em entrevista ao Porvir, uma plataforma brasileira de jornalismo e mobilização sobre inovações educacionais, espaço de aprendizagem, conexão e reconhecimento para educadores comprometidos com a transformação na educação.

Pode ler a entrevista na integra em: https://porvir.org/alunos-aprendem-mais-quando-a-gestao-e-acolhedora/